Mestra de Especiarias


“Sou uma Mestra de Especiarias.
Sei lidar com as outras coisas também. Mineral, metal, terra e areia e pedra. As gemas, com aquela luz clara e fria. Os líquidos cujos tons ardem em nossos olhos até nada mais enxergarmos. Aprendi isso tudo lá na ilha.
Mas as especiarias são a minha paixão.
Conheço a origem de todas, o significado de suas cores, os cheiros. Sei o nome original que cada uma recebeu quando a casca da terra se abriu, oferecendo-a ao céu. Tenho o calor de todas correndo no sangue. Do amchur ao açafrão, elas se curvam às minhas ordens. Basta uma palavrinha e elas liberam para mim suas propriedades ocultas, seus poderes mágicos.
Sim, todas elas têm uma magia, mesmo essas mais corriqueiras que a gente põe na panela sem pensar.
Está duvidando? Ah. Você esqueceu os segredos antigos que as mães de sua mãe sabiam. Aí vai um deles novamente: esfregar no pulso uma fava de baunilha deixada de molho em leite de cabra espanta mau-olhado. E aí vai outro: uma medida de pimenta-do-reino, em forma de crescente, no pé da cama livra a pessoa de pesadelos".

Assim começa o livro “A Senhora das Especiarias”, de Chitra Divakaruni, um livro que nos faz lembrar, pelo menos algumas de nós,  o quanto nos distanciamos do poder curativo do feminino, dos "segredos antigos que as mães de nossas mães sabiam", do poder de cura que o  se implicar, no sentido de se comprometer, tem em  nossas vidas.
Tudo isso numa linguagem poética propria de Chitra Divakaruni, a mesma autora de Irmã do meu coração.

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